É indiscutível que o mercado sucroalcooleiro, assim como diversos outros setores no Brasil e no mundo, sofre com os efeitos da crise atual. Pensando nisso, que o Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria programou algumas palestras sobre o assunto em sua 141ª Reunião.
“Organizações Sustentáveis...Transformando Crises em Oportunidades – Otimizando Processos” e “Felicidade, Bem-Estar e Qualidade de Vida na Empresa”, foram temas de destaque nas palestras da Reunião do Gerhai no último dia 13 de fevereiro no Hotel JP, em Ribeirão Preto (SP).
Ainda debatendo sobre a questão “crise” como na última Reunião em Catanduva, em dezembro passado, o polêmico tema continua tirando o sono de gestores em RH de unidades agroindustriais.
“A crise nos cobra mudanças imediatas, abala os alicerces das práticas e rotinas que sempre funcionaram e nos submete à sua força”. Frase essa dita pelo diretor da Quality Way Consultoria, Sérgio Viana Domingues em sua palestra.
Os traços da crise são a descontinuidade, instabilidade, imprevisibilidade e a perda da capacidade de controle da situação. “Algumas reações frente à crise são: tentar comandar a crise vai do inútil ao desastroso. Fazer de conta que a crise não está me afetando tende a ser mais perigoso”.
Para ele, responder prontamente às situações que se colocam no limite do possível é a melhor atitude. “Ninguém sai intacto da crise: uns saem piores, outros, melhores. Tudo depende do tempo que se ficou preso nas tramas da mesma”, explicou.
De maneira despojada e esclarecedora, Domingues falou da persistência e inteligência na abordagem. “Durante a crise, quem manda na empresa é o tesoureiro. A fragilidade do caixa é a fonte desse poder. A agilidade para se livrar o mais rápido possível das tramas da crise deve ser o foco de todos os esforços e estar presente em cada ação que faz no dia a dia da empresa”.
Com provérbios chineses, Domingues expressou algumas reflexões e possibilidades de transformar a crise numa oportunidade: “Na crise, muitos choram. Alguns vendem lenços”. “Na estrada, ou você faz poeira, ou come poeira”. “Em tempo de crise, a pior posição é assumir a postura de vítima”, completou.
Outra palestra que prendeu a atenção dos participantes na Reunião foi a do professor doutor Hermano Tavares, do departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (USP), juntamente com a psicóloga Ana Carolina Naves Magalhães. Ambos integrantes da ANJOTI – Associação Nacional do Jogo Patológico e outros Transtornos do Impulso ministraram palestras sobre “Felicidade, Bem-Estar e Qualidade de Vida na Empresa” e “Como prevenir compulsão no ambiente de trabalho promovendo a qualidade de vida”.
Com base na psicologia positiva, Ana Carolina falou da importância de focar a redução de aspectos negativos da experiência humana como a ansiedade, angústia, tristeza, medo e raiva, e passar a promover sentimentos positivos como felicidade, serenidade, harmonia, equilíbrio, entusiasmo, autoconfiança, entre outros.
“A Felicidade, Bem-Estar e Qualidade de Vida (FBQ) são reflexos da melhora nos relacionamentos interpessoais; a mensagem positiva é melhor recebida; há compatibilidade com o comportamento ajustado; promove saúde e protege o indivíduo”.
Já com base na psiquiatria positiva, Hermano explicou com muita habilidade como funciona na prática um Programa de FBQ. Além de melhorar a produtividade, prevenir transtorno emocional, manter uma filosofia de trabalho, também trabalha com a vida social (comunicação positiva), relações afetivas (sexo, amor e amizade), família (papéis e funções), vida financeira (planejamento e investimento), espiritualidade, etc.
Hermano citou um trecho de Cloninger (2004): Psiquiatras conhecem bastante das características biomédicas das pessoas infelizes, mas quase nada a respeito das pessoas felizes. Psiquiatria tem sido bem sucedida em diminuir o mal estar das pessoas, mas não necessariamente em aumentar o seu bem-estar.
Para ele, “a missão do Programa está baseada na prevenção e tratamento dos transtornos do impulso, promover e apoiar iniciativas em saúde emocional, qualidade de vida e responsabilidade social”, concluiu.
Na Reunião, as comissões de trabalho fizeram suas contribuições e apresentações de alguns assuntos proeminentes. Jorge Ruivo (Wiabiliza-RH), da Comissão de Remuneração e Salários, falou dos desafios e objetivos dos indicadores da área industrial e agrícola. José Azevedo Pereira Coelho, da Comissão de Saúde Ocupacional, abriu uma discussão sobre as fiscalizações nos ônibus com mais de 20 anos de uso que estão proibidos de circularem, comentou sobre a assinatura do TAC – Termo de Ajustamento de Conduta no cumprimento da NR 31 e também da situação do MPT – Ministério Público do Trabalho e da DRT – Delegacia Regional do Trabalho não aceitarem as barracas sanitárias utilizadas pelas empresas.
Mário Íbide, da Comissão de Desenvolvimento, comentou sobre o momento da crise como forma de evitar que vivamos uma síndrome do Titanic e o papel do RH a fim de demonstrar compreensão, alinhamento com o negócio, equilíbrio e redução de ansiedade. Já Rober Renzo, da Comissão de Relações Trabalhistas e Sindicais falou das legislações específicas voltadas para o setor sucroalcooleiro, das questões sobre ACT – Autoridade para as Condições do Trabalho, TAC e fiscalizações no trabalho.
Após a Reunião, os participantes foram convidados a almoçar no Hotel JP e assim finalizar com mais um network entre as Comissões de Trabalho. Lembrando que o próximo encontro está marcado para o dia 12 de março, na UDOP, durante a realização da Feicana/Feibio, em Araçatuba (SP). |